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Tatuagem e Piercing, Pode? Hummm..., por Leandro Peixoto*


Levíticos 19.28 é o texto mais usado contra tatuagem – “Não façam cortes no corpo por causa dos mortos, nem tatuagens em si mesmos. Eu sou o Senhor.” Mas, tal proibição fazia parte do “código de santidade” para o antigo Israel. Ou seja, ao tomar este verso ao pé da letra, o interprete terá de abraçar, também literalmente, o verso anterior, que diz:  “Não cortem o cabelo dos lados da cabeça, nem aparem as pontas da barba” (Lv 19.27). E agora? Cortamos ou não o cabelo? Aparamos ou não a barba? Nada disso! Tais práticas eram erradas por causa de sua associação com celebrações pagãs – feitiçaria, prostituição cúltica, etc. Logo, não havendo qualquer associação perversa ou pagã no uso de tatuagem e piercing, não podemos dizer, baseados no texto de Levíticos, que haja qualquer razão para proibi-los em nosso tempo.


Outro texto usado para se falar de tatuagem está no Apocalipse. O verso sugere que Jesus, em sua segunda vinda, virá com uma frase inscrita na coxa – “Em seu manto e em sua coxa está escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.16). Por que o Senhor faria isto? A gravura no manto representa realeza e na coxa força e poder. Porém, é difícil afirmar se trata-se de uma linguagem simbólica ou não, de toda forma, o fato é que se fosse uma prática abominável tal “simbolismo” jamais teria sido usado nas Escrituras.

Na hora de decidir sobre tatuagem e piercing, o correto não é buscar um texto bíblico específico para sacramentar o caso, mas sistematizar princípios bíblicos que possam nortear a decisão. Isto vai exaltar a Cristo? Vai chamar a atenção para o Senhor ou para mim? Será que a beleza e glória do Salvador serão destacadas nesta ação? O Evangelho será adornado ou obscurecido no que estou fazendo? Outra atitude importante é discernir atentamente os motivos do coração.

Muitas vezes (nem sempre!) a tatuagem é um esforço para estabelecer uma identidade que a pessoa ainda não conseguiu encontrar em Cristo. Para o crente, a Lei de Deus já está “tatuada” no coração (Hb 8.10). Por isso cada pessoa precisa perguntar: “Até que ponto esta tatuagem ou piercing refletirão a minha incapacidade de encontrar plena satisfação em Cristo? Até que ponto isso é uma tentativa de ‘ser’ alguém que até o momento eu não consegui ‘tornar-me’ em Cristo?”. Pode ser que a pessoa contemplando tatuagem ou piercing se sinta plenamente satisfeita em Cristo e esteja consciente de quem ela é nele, mas esta é uma questão fundamental para se manter em mente.

Outras perguntas que precisam ser respondidas são: O que estou prestes a fazer é útil ou proveitoso física, mental e espiritualmente? Convém que seja feito? É uma obsessão da qual eu possa vir a me arrepender ou que me prejudicará no futuro? (1Co 6.12; Rm 14.23). Ofende a outros? Escandaliza? (1Co 8.13). Glorifica a Deus? (1Co 10.31). Agride o meu corpo que é o templo do Espírito Santo? (1Co 3.16-17; 6.19-20; 2Co 6.16-18; Ef 2.22). Por fim, e não menos importante, se o desejo de usar uma tatuagem é para afirmar a identidade, confrontar “o sistema” com a liberdade individual, ou para atrair os olhares e sensualizar, tatuagem e piercing, bem como trajes e maquiagens, por exemplo, tornam-se pecado, pois a autoimagem foi exaltada e Deus colocado de lado. Enfim, o objetivo do coração do crente é que pode ser problema. Não a atitude. Portanto, ore a Deus, seja sábio(a) e busque conselhos (Pv 4.5; 15.22; Tg 1.5).

*Pr. Leandro B. Peixoto é o titular da Igreja Batista Central de Campinas, São Paulo, desde 14 de dezembro de 2003. Ele nasceu em Goiânia, Goiás, em 21 de junho de 1973, onde cresceu, converteu-se a Cristo e foi batizado, na Segunda Igreja Batista em Goiânia, pelo Pr. Edir Felix dos Santos, em 12 de dezembro de 1993. Formou-se bacharel em teologia no Seminário Teológico Batista Goiano (1995-1998). Foi consagrado ao ministério pastoral no dia 01 de novembro de 1998. Cursou o seu mestrado em teologia (MDiv), com ênfase em "Línguas Bíblicas", no Southeastern Baptist Theological Seminary, na Carolina do Norte (EUA), de 1999 a 2002. Iniciou o seu doutorado em ministério (DMin em Aconselhamento Bíblico) na mesma instituição norte-americana. Cursou o Seminário Nacional de Liderança Avançada do Instituto Haggai (2008).
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